domingo, 23 de setembro de 2012

Velha Infância

Esse titulo pode parecer meio "forçado", mas é o titulo que com toda certeza, traz a melhor lembrança da minha infância. A música. Dias das mães. Eu e os meus outros coleguinhas de classe cantando. Eu lembro perfeitamente desse dia, de como o céu estava e do rosto da minha mãe com os seus olhos verdes quase azuis cheios de lagrimas.
 Eu devia ter uns 5 anos, não entendia nada da vida, mas com certeza -sem querer saber - já sabia o que era alma e amor. Toda vez que essa lembrança me vêm a mente, eu não me "vejo" lá cantando, com um coração vermelho (que tinha uma foto da minha mãe colado nele) grudado na minha blusa próximo a lado esquerdo do peito e com o uniforme da escolinha. Eu me vejo de uma maneira diferente, como se estive lá observando eu mesma cantar, eu vejo a ternura do rosto da minha mãe e é nessa hora, quando eu vejo a imagem da minha mãe, que eu percebo que o amor é inexplicável, que mãe é melhor coisa e a mais importante que temos em nossas vidas, percebo também, que o fim da infância é o mais doloroso, mas é - de todas as lembranças de uma vida toda - a melhor. 
Entre todas as lembranças que tenho, essa é sem duvida, a mais bonita. A mais simples. A mais complexa. Lembrar isso me faz ter mais e mais vontade de viver, de ficar ao lado da minha mãe. Me faz pensar que tudo tem um propósito -mesmo não acreditando no destino- e que viver vale a pena. Lembrar da minha velha infância me faz ter saudade dela, mas me deixa principalmente com saudades de quem eu era. Entre as lembranças mais belas que eu tenho, como as vistas do nascer do sol na praia, tardes infindáveis com meus primos e primas, pessoas importantes que passaram em minha vida, a polenta frita da minha vó, os momentos mais simples que já vivi, essa com certeza, não se compara a nenhuma outra. Mas eu acho que nada se compara a esse amor de mãe misturado com a nossa infância. Nenhum dicionario é capaz de descrever. 

"E a gente canta, e a gente dança e a gente não se cansa de ser criança. A gente brinca na nossa velha infância..."

Elisa Gabardo

Esse texto faz parte da blogagem coletiva promovida no Depois dos Quinze.



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